terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Te Recuerdo

Te Recuerdo, te recuerdo quase todos os segundos, nos cinco minutos, nos cinco segundos...

Esta é uma música que retrata o drama de um amor interrompido por obra da ditadura, no caso Chilena. Muitos amores se findaram abruptamente, muitas vidas foram ceifadas, muitas canções foram cantadas, porém, nem todas puderam ser ouvidas.

Vitor Jara, o autor dessa canção, foi preso, torturado e morto pela ditadura de Pinochet. Dizem que depois de esmagarem suas mãos com marretadas de coronhadas de revólveres e fuzis, deram um violão a ele e provocaram: "agora queremos ver você cantar". Segundo contam, ele teria pego o violão e começado a tocar e cantar e foi fuzilado no mesmo instante. Seu corpo foi encontrado em um matagal numa favela em Santiago.
TE RECUERDO AMANDA - Vitor Jara
  
Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha
la lluvia en el pelo
no importaba nada
ibas a encontrarte con él
con él, con él, con él
son cinco minutos
la vida es eterna
en cinco minutos
suena la sirena
de vuelta al trabajo
y tú caminando
lo iluminas todo
los cinco minutos
te hacen florecer.

Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha
la lluvia en el pelo
no importaba nada
ibas a encontrarte con él
con él, con él, con él
que partió a la sierra
que nunca hizo daño
que partió a la sierra
y en cinco minutos
quedó destrozado
suena la sirena
de vuelta al trabajo
muchos no volvieron
tampoco Manuel.

Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Conversa com Drummond

"Esquece os rótulos e se preocupe com os sabores! Se for bom, delicie-se"

Disse-lhe Drummond certa vez... Bem, foi o que ela disse! Se ela conheceu Drummond não se sabe, mas que ela disse que ele, ah isso ela disse!

Talvez imaginou... Tão imaginativa essa pequena! Talvez da segunda vez que esteve no Rio, bateu um papo com a estátua de Drummond... Vai saber! Afinal, não duvide da pequena!

De qualquer forma, se ele disse ou não disse, ou se foi apenas desculpa da pequena para se justificar... Quem saberá...???

Contudo, mesmo teimando nos dizeres de Drummond, ela sabe que embora delicioso, ela já degustou talvez mais do que devia....

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Lua, o aniversário e o presente



Algumas coisas são imperdoáveis... Ou difíceis de perdoar, ou com um jeitinho dá-se um jeito! Nem sempre... A gente tenta remediar com uma explicação, mesmo que os argumentos sejam fracos... Enfim, esquecer aniversário seria uma delas... Daí vem a pergunta: O que fazer?!

Conversei com a Lua e pedi conselhos para ela... Sugeriu que eu catasse estrelas!

Ótima ideia, pensamos! Quer dizer, estrelas iluminam a noite, apenas. Se forem cadentes, passam logo e vão embora. Não serve!  E o dia, e o resto dos anos quando as cadentes se forem?

Que tal um pedacinho do Sol, eu falo com ele!? Disse a Lua.

Hum... O sol vai iluminar a vida! Esquentar, dar luz, calor. Mas quando precisar de frio para aquietar o sangue, tranquilizar a alma!? Ou da escuridão para embalar os sonhos!?

Já sei! Darei as belas águas do mundo para navegá-las inteiras e descobrir seus segredos. Ou quem sabe, algumas nuvens do céu!? Ou talvez uma terra bem bonita para morar...???

Mas como? Questionou a Lua! Imagine ... continuou! Você não pode dar tudo, tem que escolher só uma dessas coisas. Se for a água, logo vai sentir falta da terra firme! Se for a terra, logo vai sentir falta água... E quanto as nuvens, não se pode viver a vida toda no mundo das nuvens, uma hora é preciso voltar à realidade, até mesmo aos problemas da vida! Os desafios nos movem! Sabiamente explicou!

Não bastasse esquecer, agora não sabia o que presentear, o que fazer... Sugeri a Lua que fosse ela própria o presente... Mas a Lua rejeitou a proposta, afinal, ser só de um apaixonado é egoísmo e ela também prefere amar e ser amada por todos... Uma poliamorosa essa Lua...

Se eu for embora daqui, quem consolará os enamorados? Quem lhe dará conselhos? Indagou-me a Lua! Como estou fazendo contigo agora?! Docilmente concluiu...

A cada minuto que passava as opções diminuíam, queria dar tudo! Queria colocar todos os sonhos num pacote e entregar! “Seus sonhos, para vc, realize-os e seja feliz”...

Mas, ora ora ora... Depois de realizados e findados os sonhos, em busca de que viveria???

Assim você não me ajuda, esbravejei com a Lua...

Solidária e terna, disse-me baixinho: Plenitude!

Hum, perfeito!

Oba oba oba oba oba!

Aaaaaaaaaaaaa! Nãooo, até o que é perfeito dá problema hora ou outra...

Já sei, já sei! Vontade de viver! Vontade de levantar todos os dias e desafiar os desafios da vida... Vontade de realizar os sonhos e superar os medos. Vontade de ser feliz...

Com sorriso de alívio, aconselhou-me a Lua: Dê o que de melhor você saber fazer: Escreva! Escreva, pequena, escreva!

Sorri, pelo elogio, mas voltando a mim, e na minha humildade, recorri a Quintana, já que ele, melhor do que eu, escreve...

"Existe apenas uma idade para sermos felizes, apenas uma época da vida de cada pessoa em que é possível sonhar, fazer planos e ter energia suficiente para os realizar apesar de todas as dificuldades e todos os obstáculos. Uma só idade para nos encantarmos com a vida para vivermos apaixonadamente e aproveitarmos tudo com toda a intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que podemos criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança, vestirmo-nos de todas as cores, experimentar todos os sabores e entregarmo-nos a todos os amores sem preconceitos nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que toda a disposição de tentar algo de novo e de novo quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na nossa vida chama-se presente e tem a duração do instante que passa..."

Perdoe-me!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Todas as mulheres, em sua diversidade, têm o seu valor


 “Kiriku é pequeno, mas tem o seu valor! Kiriku é pequeno, mas tem o seu valor!” Ouvi essa cantiga hoje na animação francesa “Kiriku e a Feiticeira”, de Michel Ocelot, no Cine Sem Tela. Kiruku era mesmo muito pequeno e totalmente inusitado! Figura esquisita e teimosa, que conseguiu salvar o seu povo dos males que os oprimiam. O nosso herói não estava com armaduras e não era assim “bonito”, digo “bonito” aos padrões de beleza postos pela mídia, por exemplo! Mas era de uma força, coragem e teimosia incrivelmente cativante. Sim, Kiriku era bonito! Para mim e para aquelas crianças que assistiram a sessão conosco, Kiriku era um herói pequeno, negro e lindo.
O trecho está na minha cabeça não somente pelo espetáculo que é o filme, por sua beleza, mensagem, sutileza, poesia e resistência (teria aqui vários adjetivos ainda, mas vamos parar), mas também pelo o que remeteu o filme em vários momentos. Materializei várias atrizes na figura pequena, inusitada e aparentemente frágil de Kiriku.
“Mulher é gorda é gorda e tem o seu valor. Mulher negra é negra e tem o seu valor. Mulher baixa é baixa e tem o seu valor. Mulher manequim 40 é manequim 40 e tem o seu valor. Mulher magra é magra e tem o seu valor. Cabelos cacheados e crespos são cacheados e crespos e tem o seu valor” ... Somos lindas em nossa diversidade!
Não importa os padrões de beleza que a mídia divulga, por exemplo, fazendo-nos crê que são os certos, e pelos quais nós devemos nos submeter aos sacrifícios impostos para alcançá-los.
É por essa linha de pensamento que realizamos um ato neste domingo, 21 de outubro, quando algumas participantes (eu, Bernadete, Cleide e Flávia) da Casa 8 de Março - Organização Feminista do Tocantins – manifestaram-se contra a veiculação de propagandas machistas por parte da empresa Marisa e contra essa mídia machista que dissemina cotidianamente a ditadura da beleza, magreza e ofensas contra as mulheres em campanhas publicitárias, novelas, programas de humor, esse último, maciçamente. Já existe até um Movimento Nacional, apartidário e de caráter pacífico, chamado Marcha Contra a Mídia Machista, que protesta contra a desvalorização e distorção da imagem da mulher em diversas mídias.
Nós fizemos um ato silencioso e pacífico em frente à loja da filial aqui no Estado do Tocantins. Fomos abordadas por várias pessoas para perguntar o significado das frases dos nossos cartazes (Contra a Mídia Machista/Vou pelada, mas não vou de Marisa) e nós explicamos e fomos bem recebidas, inclusive por funcionárias da loja. Alguns depoimentos emocionantes, como um de uma adolescente – "sou branca, mas meu cabelo é cacheado, não sou magra e sou linda", nos animaram muito, pois, já é uma semente vindo por ai.  
No entanto, algumas pessoas não conseguem perceber a dimensão dos comerciais machistas, que falam dos sacrifícios que a mulher precisaria fazer para ficar pronta para o verão, por exemplo, excluindo todas as outras mulheres que não fizeram o tal do sacrifício, colocando-as num patamar inferior, no qual são tachadas de feias, gordas, foras de forma, sendo, consequentemente, excluídas dos espaços, que na concepção da Marca, só poderiam ser ocupados pelas mulheres que estão em forma para o verão.
Nós mulheres, oprimidas e rechaçadas todos os dias, sabemos o tamanho de nosso desafio. Inclusive na conscientização das outras mulheres, que fragilizadas por uma cultura machista, são machistas e não percebem que são também oprimidas.
Durou cerca de 20 minutos o nosso ato, até quando fomos "convidadas" a parar com a manifestação. Enrolamos os nossos cartazes e fomos embora pacificamente!
Independente de ser pequena, grande, loira, negra, índia, todas as mulheres, em sua diversidade, têm o seu valor.

Rose Dayanne Santana
Jornalista
Foto: Tácio Pimenta

texto publicado originalmente em